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Tarifa tri-horária: quando pode compensar

Como funciona a tarifa tri-horária, que consumos deve deslocar e que riscos existem antes de mudar.

Portugal

O que muda na tri-horária

A tarifa tri-horária divide o consumo em três períodos: ponta, cheias e vazio. A ERSE indica que consumidores em baixa tensão normal, com potência contratada até 41,4 kVA, podem escolher entre tarifa simples, bi-horária e tri-horária.

A ideia é simples de perceber: o preço da energia muda consoante a hora. O que já não é simples é garantir que a casa consome o suficiente nas horas certas para compensar.

Ponta, cheias e vazio

Na tri-horária, o período de vazio é normalmente o mais barato. As cheias ficam num patamar intermédio. A ponta é o período mais caro e deve ser evitado para grandes consumos sempre que possível.

Os horários concretos dependem do ciclo escolhido e da região. A ERSE publica informação sobre períodos horários e ciclos, incluindo ciclo diário e ciclo semanal. Antes de mudar, confirme a tabela aplicável ao seu contrato.

Ciclo diário ou semanal

No ciclo diário, os períodos horários repetem-se de forma semelhante todos os dias. No ciclo semanal, há diferenças entre dias úteis e fins de semana.

Isto muda bastante a decisão. Uma família que consome muito ao fim de semana pode beneficiar de um ciclo diferente de uma casa onde quase tudo acontece em dias úteis. Não aceite a opção horária sem ver o horário completo.

Que consumos deslocar

A tri-horária só faz sentido se conseguir deslocar consumos grandes para vazio ou, pelo menos, evitar ponta. Exemplos:

  • máquina de lavar roupa;
  • máquina de lavar loiça;
  • termoacumulador;
  • carregamento de veículo elétrico;
  • alguns consumos de climatização;
  • pequenos carregamentos programáveis.

Evite mudar hábitos perigosos. Não deve deixar equipamentos sem supervisão quando isso contrariar o manual ou aumentar risco. Programar máquinas é útil, mas segurança vem primeiro.

Quem deve ter cuidado

Tenha cautela se a casa cozinha, aquece, lava ou carrega equipamentos sobretudo em horas de ponta. A tri-horária pode castigar mais estes consumos do que uma tarifa simples.

Também é preciso cuidado em casas com muitas pessoas e horários difíceis de controlar. Se ninguém acompanha quando se consome, a tarifa horária pode trazer mais stress do que poupança.

Como simular

Use faturas reais e, se possível, dados do contador inteligente ou do portal do operador de rede. Veja quanta energia foi usada em cada período.

Depois compare com uma oferta simples, bi-horária e tri-horária. O simulador da ERSE e o Poupa Energia ajudam a comparar ofertas, mas a qualidade da simulação depende dos dados que introduz.

Atenção aos equipamentos automáticos

Alguns consumos parecem fáceis de deslocar, mas nem sempre são. Termoacumuladores, bombas, carregadores e climatização podem ligar fora das horas previstas se estiverem mal programados ou se a casa precisar de recuperação.

Antes de mudar, confirme se os equipamentos têm temporizador, programação fiável ou gestão automática. Se não tiverem, a tri-horária pode exigir disciplina manual todos os dias. Isso aumenta o risco de voltar a consumir nas horas caras.

Perfil de fim de semana

O fim de semana pode alterar tudo. Há casas que lavam roupa, cozinham mais e carregam equipamentos precisamente ao sábado e domingo. Outras têm pouco consumo nesses dias.

Se escolher ciclo semanal, confirme os horários de vazio e cheias para fins de semana. Uma tarifa que parece boa para dias úteis pode ser menos interessante se o consumo real acontece noutros períodos.

Tri-horária e preço indexado

Uma oferta pode ser tri-horária e ter preço fixo ou indexado. São dimensões diferentes. A opção horária define períodos; a fórmula de preço define como a energia é cobrada.

Se está a pensar numa oferta indexada, leia também o guia sobre preço indexado. Juntar tri-horária e indexado pode exigir acompanhamento mais próximo da fatura.

Rotina de acompanhamento

Depois de mudar, acompanhe três meses:

  1. consumo em ponta;
  2. consumo em cheias;
  3. consumo em vazio;
  4. custo médio por kWh;
  5. impacto na rotina da casa;
  6. eventuais estimativas;
  7. fim de descontos comerciais.

Se a poupança for pequena e a rotina ficar mais difícil, talvez a tarifa não compense para a sua casa.

Erros comuns

  • olhar só para o preço do vazio;
  • ignorar o preço da ponta;
  • não confirmar ciclo diário ou semanal;
  • deslocar consumos sem segurança;
  • mudar sem dados de consumo;
  • comparar apenas um mês.

Perguntas frequentes

Tri-horária é melhor do que bi-horária?

Depende do perfil. Pode compensar se conseguir evitar ponta e concentrar consumos no vazio.

Preciso de contador especial?

Precisa de contagem capaz de separar períodos horários. Confirme com o comercializador e o operador de rede.

O ciclo semanal compensa mais?

Pode compensar para casas com consumos relevantes ao fim de semana, mas deve ser simulado.

Posso voltar à tarifa simples?

Pode pedir alteração, respeitando condições contratuais. Compare antes de voltar a mudar.

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